Em busca da Paz – Bacalhôa Buddha Eden

Já tínhamos ido a este jardim ainda a minha pequenita não tinha nascido. Mas, esta ida foi vivida com um sentimento diferente.

Por circunstâncias diversas, a minha vida nos últimos tempos tem sido uma verdadeira guerra, com frentes de batalha diversas. A tudo tenho resistido, estoicamente, como é meu apanágio. Para ser sincera, não tenho grande alternativa. A partir do momento em que temos pequenos seres a depender de nós, a vida não nos dá outra alternativa senão lutar. Esse foi talvez o maior ensinamento que extraí da maternidade.

Mas, como diria a minha avó, “elas não matam, mas moem”. Diria portanto, que parti para este passeio moída e condoída, com as minhas próprias dores e com dores alheias. Por isso, precisava de um pouco de paz e tranquilidade. Alguma bonança (pese embora a tempestade esteja longe de terminar).

E consegui. Diria mesmo que foi o sítio ideal para este dia.

Começando por questões práticas, demoramos pouco mais de 1h para lá chegar (com as habituais paragens de quem tem crianças). Optamos pelo bilhete com o comboio incluído (9,00€ por pessoa). Por um lado, o comboio é sempre uma animação, pelo menos para a mais pequena e por outro, aquilo é grande que se farta (35 hectares, para ser mais precisa).

https://www.bacalhoa.pt/enoturismo/bacalhoa-buddha-eden

Começamos logo por almoçar. O restaurante, em self-service e com um menu que inclui basicamente tudo, tem uma qualidade aceitável perfeitamente de acordo com o tipo de serviço oferecido.

Daí partimos para a visita de comboio. Na verdade, paramos logo na paragem junto à escadaria central e quase tudo o resto foi feito a pé.

E vale mesmo a pena. Dizem que é o maior Jardim Oriental da Europa e é fácil imaginar que o seja.

Desde a sua origem, o jardim tem propósitos nobres, pois foi criado em protesto contra a destruição dos Budas Gigantes de Bamyan. Foi em 2001, após a destruição intencional por parte do  Governo Talibã de monumentos únicos do Património da Humanidade, que Joe Berardo teve esta iniciativa, em forma de homenagem.

Aspetos religiosos e políticos à parte, só me apraz dizer que foi uma excelente iniciativa.

Os miúdos deliraram com as estátuas gigantes e os pés que, no  seu imaginário, cheiravam a chulé. Quiseram subir a várias e, contra todas as expetativas, deixaram-me tirar imensas fotos.

Correram livremente pelo parque, fizeram 1001 perguntas sobre de onde vinham aquelas estátuas, como tinham vindo ali parar e tantas outras que não fixei e adoraram a zona dos soldados de terracotta, cada um deles único e pintado à mão.

Também junto a esta zona, uma série de estátuas  delicadas, que tivemos que explicar cuidadosamente porque não deveriam ser tocadas. Tudo isto sempre com a envolvência fantástica do enorme lago.

Ficaram fascinados com a quantidade de moedas deixadas e o seu propósito, que fomos explicando, enquanto impedíamos que a Mafalda trouxesse algumas com ela.

O enorme lago, já referido, recheado de peixes Koi, vem completar todo este cenário apaziguante.

 

Ainda andamos mais uma vez no comboio, mas realmente é a pé que melhor se conhece este jardim, tendo ainda a enorme vantagem, que certamente qualquer pai reconhece, de deixar os miúdos cansados (a viagem de regresso foi em total silêncio).

Ainda paramos para um gelado e ida à casa de banho. Aí diria que foi a única grande falha que sentimos. Só encontramos uma casa de banho. Esta, claro, tinha uma fila enorme, o que é sempre difícil com crianças. Admito que possa ser falha nossa, mas realmente em toda a zona do parque não encontramos mais casas de banho, nem sequer no café. Sentimos também a falta de bebedouros. Apesar de levarmos as nossas garrafas, num espaço deste género, é sempre útil.

À parte destes detalhes, prosseguimos para a fantástica zona do Jardim de Escultura Moderna e Contemporânea com peças selecionadas da coleção Joe Berardo e também para a zona do jardim de arte de Esculturas Africanas.

Os miúdos deliraram com esta zona e a única parte difícil foi mesmo convencê-los a não trepar para cima dos “animais”.

Mas puderam dar largas à imaginação, imaginarem-se ser perseguidos por um terrível leão ou atacados por um touro feroz!

Pena foi não termos mais tempo para explorar melhor esta zona, mas o rapaz tinha um Benfica-Sporting agendado com o pai e há compromissos aos quais não se pode falhar.

Viemos cansados, mas satisfeitos. Eu, particularmente, diria até que renovada para enfrentar nova semana.

Acima de tudo, é bom vê-los correr e conseguir arranjar energia em mim para me sentir grata pela energia deles! Por mais extenuante que seja, tenho tanto a agradecer.

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