U2 – 17/09/2018 – A nossa noite!

Vi pela primeira vez os U2 em Alvalade há 13 anos na Vertigo Tour, depois de uma noite passada numa estação de serviço, numa fila para arranjar bilhetes!

Desta vez tudo foi diferente, mas não menos sofrido. Apesar de inscrita no clube de fãs, não consegui bilhete para o dia 16. Quando eles anunciaram o 2º concerto, dia 17 fiquei extasiada. Logo a seguir, em total desânimo, quando percebi que a venda iria coincidir com um dia de formação da Remax à qual não podia mesmo faltar!

Valeu-me uma amiga. Sempre as amigas, igualmente fãs, que nos entendem ao ponto de passar a noite connosco dentro de um carro (em 2005) ou ficar à espera do arranque online das vendas (em 2018) para safar uma amiga, mesmo já estando servida de bilhetes.

Chegar lá não foi fácil. Trabalhamos aceleradamente o dia todo, fomos em passo de caracol típico de final de dia até à margem sul deixar a miúda, regressamos em passo de tartaruga e, quando finalmente chegamos, estacionar revelou-se uma verdadeira aventura.

Sanados esses pequenos dissabores de pais trabalhadores lá estávamos nós, no Altice Arena, onde meses antes assistíamos ao Disney on Ice, com os miúdos.

Chegamos pouco tempo antes do início. O estádio já estava praticamente cheio, havia muito barulho, grande ansiedade e várias falhas de rede. Ainda assim conseguimos ver e enviar umas fotos aos miúdos antes da grande entrada em palco!

O início foi simplesmente brutal. Embora já tivesse lido sobre este início em outros concertos da digressão, nomeadamente o da noite anterior, em Portugal, o discurso forte e poderoso de Charlie Chaplin do filme o grande ditador conjugado com fotos de guerra e destruição de várias cidades europeias (incluindo Lisboa), deixaram-me simplesmente arrepiada!

Seguiu-se uma panóplia de êxitos, apenas possível com uma grande banda, cheia de história e de sucessos, daquelas que infelizmente já pouco se usa.

O Sunday Bloody Sunday consegue sempre emocionar-me! Além da música, sempre as imagem, sempre uma mensagem, a que pouco ficarão indiferentes!

O ambiente, apesar de imensamente preenchido, teve momentos de proximidade e quase intimidade com o público.

Foram partilhadas fotos do casamento dos pais de Bono, foi recordada a mãe de Bono, falecida em 1974, foi recordado Dublin, foi abordada com uma simplicidade extraordinária a vida de “rapazes comuns com uma vida extraordinária”! Falou-se das férias em família da banda no Mediterrâneo e seguiram-se imagens de refugiados tão associadas ao mesmo mar. Falou-se da Europa e do nosso mundo, em que todos estamos juntos, falou-se de união (ou da necessidade dela).

Houve tempo para humor, para aproximação ao público, para ouvir do Bono expressões em português, simples mas cativantes, capazes de promover a aproximação aos fãs.

A estrutura central permitia que todos os lugares fossem fantásticos para assistir à atuação da banda e ver bem todas as (fortes) imagens cuidadosamente selecionadas, de intenso cariz político e com uma tremenda ênfase no que deveriam ser os valores da democracia.

Já na reta final, a projeção de um vídeo de promoção da ação Poverty is Sexist, da One, uma organização de luta contra a pobreza deixou novamente as emoções à flor da pele!

https://www.one.org/international/

No vídeo, a icónica e poderosa canção Women Of The World deu um tom de força, união e responsabilização.

Não sei precisar o que mais gostei.

Elevation, Vertigo, I Will Follow fizeram-me tremer a voz.

One faz sempre as delícias dos fãs, incluindo as minhas.

Even Better than the real thing faz-me vibrar.

Love is Bigger Than Anything in Its Way faz-me sempre pensar que tanta gente devia ouvir esta música, ver o seu videoclip, entender a sua mensagem!

Podia continuar, pois na verdade vibrei de forma verdadeira e sentida em todo o concerto!

Como diria o Bono, “Foi muito fixe!”

E se eles voltarem lá estarei pronta para mais umas loucuras para arranjar bilhetes.

 

 

 

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