Ando para escrever sobre estas férias desde que regressei. Acho que, parte do que me tem feito não escrever, além da habitual falta de tempo, é a obrigatória tomada de consciência que já não estou lá e que apenas poderei regressar para o ano, na melhor das hipóteses.
Sim, porque a minha teoria de não ser grande adepta de repetir locais claramente não se aplica a Armona.
Restam-me as memórias, que aqui vou partilhar, e as fotos maravilhosas.
Estive pela primeira vez nesta ilha, pertencente ao concelho de Olhão e parte integrante do Parque Natural da Ria Formosa, no ano passado. Fomos à aventura, como de costume. Estávamos alojados em Pedras D’el Rei e como gostamos sempre de ir a praias diferentes em cada dia, lá fomos a esta. Apanhamos o barco em Olhão, o que é sempre divertido para os miúdos. Desembarcados, não fazíamos ideia do percurso que nos esperava.
É verdade que junto ao porto existe praia (aliás há praia em todo o lado), mas queríamos ir para a da outra ponta. E para isso, tivemos que andar e andar e andar… Miúdos e graúdo já reclamavam comigo e com as minhas “ideias malucas!”.
Chegados à praia, tudo passou. Ficamos verdadeiramente estarrecidos com a beleza natural daquela praia, a paz e a tranquilidade, apenas interrompidas pelos risos dos meus filhos.
Num só dia, além de inúmeros mergulhos numa água com temperatura ao nível das caraíbas (já me banhei em ambas, posso garantir que este termo de comparação é justo), apanhamos conchas lindas, um caranguejo (que depois libertamos) e o Diogo conseguiu a proeza de, à milésima terceira tentativa, tocar um peixe!
A verdade é que eles nos rodeavam, estavam em todo o lado.
Ficamos na praia mesmo até à última, limitados pelos horários do barco. Sim, porque nesta ilha não circulam carros.
http://www.olhaocubista.pt/horariobarcos.htm
Existe sempre a opção de apanhar um barco-táxi, mas ainda não tínhamos explorado o suficiente para conhecer essas alternativas, além de ser, claro, mais dispendioso.
O percurso de volta, apesar de feito com um acréscimo significativo no peso provocado pelo saco gigante de conchas e na sequência de um dia cansativo, fez-se com mais tranquilidade e com a certeza que, depois daquele dia, tínhamos era que estar gratos pela experiência e não rabugentos (pensamento válido para todas as idades).
Em Julho deste ano, em mais uma estadia pelo Algarve, voltamos à Ilha. E a Ilha não nos desiludiu. Desta vez já íamos preparados para andar. Não é fácil, pelo menos com duas crianças atrás, mas vale tanto a pena!
Foi então que senti que tinha que ficar ali. Não simplesmente passar, mas ficar. Nesse mesmo dia comecei os contactos que me permitiram arranjar casa ainda para Setembro.
Claro que houve dúvidas. Não minhas, mas das vozes mais prudentes (chamemos-lhes assim), que me acompanham. E as malas? E se alguém adoece? E os horários? E estarmos ali confinados?
Nada que me detivesse. Claro, ao fazer as malas optamos por levar apenas o mínimo indispensável (e mesmo assim, foi demais). No que respeita a doenças existe um posto de primeiros socorros na ilha e a possibilidade de, fora do seu horário de funcionamento, apanhar um táxi. Estarmos ali confinados nem sequer nos pareceu uma questão. Na realidade, a ilha tem tanto para ver e fazer que tédio simplesmente não existiu.
Desta vez, tivemos mesmo que ir de Táxi. Estávamos em Sevilha e fomos daí diretos para Armona. Como quisemos aproveitar Sevilha ao máximo, já chegamos a Armona de noite. Restou-nos então um táxi, por 25,00€ por viagem.
O carro ficou no parque de estacionamento do Pingo Doce de Olhão, pelo preço de 30,00€ por uma quinzena (não fazem por menos tempo).
Levar as malas não foi fácil, mas as rodinhas ajudam e a expetativa crescente de como seria acordar ali também. E foi simplesmente fabuloso.

Apesar da dimensão da ilha, numa semana, conseguimos ver e fazer sempre coisas novas em cada dia.
O ritmo é estrondosamente diferente do nosso dia a dia e isso sabe tão bem!
Os dias foram passados na praia, invariavelmente. De lá saíamos diretos para jantar. Os banhos eram a altas horas. Chinelos pouco se usaram. Sapatos então nem vê-los. Pés sujos foi o lema da semana. Tenho a franca sensação de que a areia só saiu totalmente do nosso corpo depois do regresso a casa.
O pôr do sol foi quase sempre na praia, onde chegamos a ficar absolutamente sozinhos.
Sair da praia era indubitavelmente difícil. Não só pelo percurso de volta, mas especialmente pela beleza e tranquilidade que nos invadiam e tomavam verdadeiramente conta de nós.
Juro que por várias vezes, apenas me apetecia dormir ali.
Também assistimos ao pôr do sol no Restaurante Armona 4. Jantar neste terraço e assistir ao pôr do sol foi um verdadeiro deslumbre a que nem os miúdos ficaram indiferentes. Para comer, além do peixinho grelhado, a bela da cataplana, disponível por encomenda e que vale muito a pena.
Apesar de pequena, a ilha tem bastante recursos. Tem mercearia, café e restaurantes.
Tem um fantástico bar de praia. A comida é ao género de bar, nada de especial, mas o ambiente e a possibilidade de comer com os pés na areia valem por tudo.
No café, tivemos o enorme privilégio de assistir a uma festa deliciosa, com música ao vivo.
Os miúdos primeiro estranharam duas senhoras estrangeiras a tocar ao vivo música que nunca tinham ouvido, mas rapidamente entranharam e acabou por ser uma noite muito divertida.
Junto a este café temos o parque infantil, com o pavimento coberto de areia!
Existe ainda um parque de campismo com bungalows, que nos pareceu muito ter boas condições e que tem também um parque infantil.
https://www.booking.com/hotel/pt/parque-de-campismo-orbitur-ilha-de-armona.pt-pt.html
Junto à praia, destacamos o primeiro restaurante à saída da praia. Boa comida, ambiente agradável e a possibilidade de, no final, beber um café com os pés na areia (gosto mesmo disto), sentados nuns bancos feitos de paletes e cobertos de almofadas.
Não é barato, aliás nenhum dos restaurantes nem mercearias o são.
Quem se quiser abastecer a valores mais simpáticos tem que ir a Olhão. Nós acabamos por ir apenas um dia a Olhão porque ficamos sem dinheiro. É que na ilha não existe Multibanco em lado nenhum. Mas também esse foi um passeio lindo, com as gaivotas por companhia.
Descobrimos ainda a “praia dos caranguejos” (nome dado pelos miúdos). Nesta praia, com a maré baixa, apanhamos dezenas de caranguejos, experiência deliciosa para os miúdos, especialmente quando um habitante local os ensinou a pegar com a mão. Todos devolvemos ao seu habitat natural.
Nesta praia dava também para caminhar até ao outro lado, com a maré baixa. Resolvi ir sozinha, eu e o meu telemóvel. O regresso já foi feito de braços no ar, com o telemóvel em cima da cabeça.
Existe também uma lagoa, a lagoa dos patos. Ao lado desta lagoa, com a maré baixa dá para passar para outra zona selvagem e maravilhosa. Claro que se nos distraímos, a passagem já é feita com sacos na cabeça, mas mesmo assim, consegue-se fazer sempre bem.
Nesta zona, apanhamos conchas e fizemos desenhos com as mesmas, com a colaboração dos miúdos. Voltamos a trazer sacos e sacos de conchas que se amontoam na arrecadação (um dia faço trabalhos com eles, mas ainda não chegou esse dia).
